Durante estes dias, se você estiver tentando falar com Carly Rae Jepsen, ela provavelmente estará ocupada trabalhando. Quando ela deu a EW uma atualização do progresso do sucessor do criticamente aclamado E·MO·TION, de 2015, ela estava ligando de um canto quieto de um estúdio em Estocolmo, na Suíça, dando uma pequena pausa da escrita e gravação. Ela também estava em seu caminho até o estúdio quando recebeu uma ligação perguntando se ela queria fazer um remake do hit de 1988, “It Takes Two”, e Rob Base e DJ E-Z Rock com o rapper Lil Yatchy e o produtor Mike Will Made-It para o vídeo promocional da Target, dirigido por Roman Coppola e coreografado pela Mandy Moore, de La La Land.

Leia tudo o que você precisa saber sobre a parceria entre Carly, Lil Yatchy e a Target.

Se você acha que soa estranho a combinação entre os talentos, não está sozinho. “Eu dizia ‘Isso é muito estranho para dizer não!'”, Jepsen fala do vídeo, do qual irá ao ar em um comercial de três minutos durante o Grammy deste ano. (Nada como o clipe ao vivo de Gwen Stefani com a Target no ano passado.) “Eu adoro quando a vida te surpreende dessa forma. Este é definitivamente um desses momentos.” Abaixo, Jepsen fala sobre as origens da colaboração, sua estreia no rap, e por quê ela está canalizando Donna Summers em seu próximo disco.

Você, Lil Yatchy e Mike Will Made-It — esta é uma combinação nada convencional. 

Acho que foi isso que amamos a respeito disso! Foi o encontro de dois mundos diferentes para criar algo que, esperançosamente, ninguém fosse esperar. Foi muito divertido. Yacthy é muito divertido, e Mike é incrivelmente talentoso, então o combo foi nada como algo que fizemos antes.

Como foi flexionar os seus músculos do hip-hop?

[Risos] Você alcança picos estranhos durante a sua vida e este, definitivamente foi um deles. Eu estava tarde da noite no telefone com um cara da minha equipe, que estava dizendo “está faltando um verso, e eles estavam pensando se talvez você não se importaria em escrever um rap e ir lá gravar esta noite?”. E eu fiquei tipo, “Vocês perceberam que eu não faço rap, né? Isso parece loucura.” Foi um dos momentos mais intimidantes da minha carreira estar em uma sala com Mike Will e o Yatchy e dezesseis outros amigos deles apenas festejando. Eles estavam tipo: “Tudo bem, vai lá apresentar o seu primeiro rap da vida em frente a rappers profissionais!” Não há nada mais aterrorizante do que isso. Mas eles foram de grande ajuda.

Podemos considerar essa a sua estreia oficial no rap?

Não estou chamando isso de rap! De forma alguma estou dizendo que isso é um rap. Eu estava pensando mais em algo como um momento feminino ritmico. Foi apenas um verso legal que encaixou na música.

Você era uma grande fã da música original quando mais jovem?

Acredito que todos nós a ouvimos em uma festa ou duas quando estávamos crescendo. Não acho que alguém tenha a escutado inteira, na verdade? É muito famosa pela intro e então se repete para sempre. Por cinco minutos! É uma batida bem longa. Acho que o DJ se cansou em algum momento. Mas nós a cortamos! E palmas ao Roman — ele trabalhou em um dos meus programas favoritos, “Mozart in the Jungle”, então foi demais. Nós tivemos a coreógrafa de La La Land, Mandy Moore, e ela é incrível. Nós preenchemos esses minutos e os tornamos bem interessantes. Todos os dançarinos e todo mundo envolvido foram incríveis. Foram quatro dias gravando, uma grande, grande produção.

Pareceu como uma volta aos seus dias de Grease: Live?

Esta é uma boa comparação. Não foi ao vivo, mas pareceu pois tivemos muita coreografia e as gravações foram tão longas. Deu pra sentir aquela pressão, tipo “tá, eu não quero ser a pessoa que vai estragar tudo isso.” Nós gravávamos eu pensava, “opa, essa pessoa moveu o braço para o lugar errado!”. Nós tínhamos que voltar e gravar da forma correta. Mas somos tomos perfeccionistas e realmente nos importamos com esse projeto, então mesmo que significasse ficar até mais tarde, estávamos todos muito animados. Essa energia é realmente contagiosa, e eu definitivamente senti isso em Grease também.

Como é trabalhar com a Mandy? Como estão seus passos de dança?

Oh, a Mandy te pega embaixo de suas asas logo de cara. Eu não danço. Eu dizia a ela, “Meus shows são mais sobre a música. Às vezes eu pulo, ou se eu estiver muito no clima, me mexo um pouco.” Mas dançar não é a minha praia, e esse foi um dos desafios com Grease: Live. Esta foi uma das primeiras coisas que eu disse a ela. A maioria da dança acontece em volta do Yatchy e eu, mas assim que você entra no set você se encontra dançando apesar de tudo, porque é realmente uma experiência muito boa. Você não me verá fazendo algo muito, muito maluco.

Mesmo com tudo isso, você têm trabalhado em seu novo álbum. Como está indo o processo? Quão longe você está?

É sempre difícil demarcar isso. Quando você pensar estar perdido no escuro, pode na verdade estar fazendo um grande processo com ele. Estou na verdade pela Suécia, em Estocolmo, no estúdio. Estou mesmo só aproveitando estar no meio disso. Eu diria que ainda há muito trabalho à ser feito, mas definitivamente estou encontrando novos sons pra mim, o que é sempre o objetivo: desafiar o que você fez da última vez, quebrar algumas regras e descobrir novos lugares onde você gostaria de ir musicalmente.

Eu me categorizo um pouco como uma “over-writer” (alguém que escreve além do necessário). Não sei se isso é uma coisa boa ou ruim, mas definitivamente se tornou parte do meu processo. Eu não consigo escrever apenas oito ou nove canções e chamá-las de um disco. Acho que apenas nesse álbum, sozinha, estou na conta de 42 músicas compostas. Estou tipo, “okay, arrasando!”, mas ainda estou continuando [a compor e a gravar]. Eu sei que quando terminar, eu terei um catálogo inteiro de músicas secretas que ninguém ouvirá, e aquela que são muito especiais, que estarão por aí.

Você disse antes que está canalizando os anos 70 com esse disco, citando ABBA e os Bee Gees como influências. Ainda está explorando estes sons?

Eu diria mais Donna Summer do que os Bee Gees. Esta seria a inspiração disco que está liderando o pacote todo no momento. Dito isso, algumas das canções que têm me surpreendido não estão muito na área disco tanto assim. Eu não posso muito apontar o que é, mas é muito animador também! Tem tanta música por aí agora e tanta coisa de qualidade, estou tentando encontrar o que eu tenho para oferecer de diferente.

Uma música nova sua, “Cut to the Feeling”, está presente no filme “A Bailarina”, que estreou na Europa em 2016 e irá chegar nos EUA em Março com o nome “Leap!”. Esta música sugere o seu novo som ou é parte do que sobrou do E·MO·TION?

É definitivamente da era E·MO·TION. Na verdade era algo para os b-sides (o Emotion: Side B) e originalmente, para o álbum em si. Era quase cinematográfica e teatral demais. Eu estava pensando, “se eu tivesse alguma forma, seria ótima para um musical ou um filme!”, e então “A Bailarina” veio, me encontrei com as pessoas que faziam a dublagem (ela deu voz à Odette) e eles estavam me mostrando algumas cenas. Foi uma em particular que eles me disseram: “Nós estamos procurando a música certa para essa parte, você tem alguma coisa?” e eu logo disse, “Na verdade, isso têm estado no meu bolso traseiro. Estive guardando para o Side B, mas se funcionar para vocês, ficarei feliz em compartilhá-la”.

Enquanto está na Suécia, você está trabalhando com os mesmos hitmakers do E·MO·TION, como Mattman & Robin e Rami Yacoub? Ou são pessoas novas?

Um pouco de cada. As pessoas que você mencionou, nós já tivemos algumas sessões juntos para o álbum novo. Mas também tem sido divertido explorar novas direções. Eu estive bem interessada no material da Robyn, e foi isso que me levou ao Patrik Berger, que é um dos produtores principais dos quais estou trabalhando, junto com o Pontus Winnberg. Estamos alcançando a mesma coisa, e quando isso acontece, você tem que permanecer nessa área até descobrir onde está indo. Estou aqui (na Suécia) por 13 dias, finalizando tudo. Esta é a minha terceira viagem para cá para apenas esse disco, até agora. Estou muito animada para mostrar a vocês em que estivemos trabalhando.

Leia a matéria original em inglês no site da EW.

Tradução por Carly Rae Jepsen Brasil, não reproduza sem os créditos.

Publicado por Douglas Vasquez
Deixe um comentário abaixo!